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A Captura e O Cativeiro
Devido a uma grande resistência, eles passaram a negociar a captura com os governantes
locais das tribos dominantes. Os sobas, como eram chamados, comercializavam os
povos vizinhos em troca de armas, pólvora, cachaça, fumo, tecidos, contas,
ferramentas e barras de ferro.
Muitos reinos africanos, como os de Benin e de Daomé, cresceram organizando
expedições contra seus semelhantes. Os escravos passaram a vir de regiões mais
distantes do litoral. Para facilitar o comércio e o armazenamento foram
construídas feitorias e fortalezas próximas aos locais de embarque ou ao longo
dos rios.
O pintor Rugendas deixou um relato da visão dos porões de um navio negreiro:
“Esses infelizes são amontoados num compartimento cuja altura raramente ultrapassa um metro e meio. Esse cárcere ocupa todo o comprimento e a largura do porão do navio; aí eles são reunidos em número de 300 a 500, de modo que para cada homem adulto se reserva apenas um espaço de cinco pés cúbicos.
Muitas vezes as paredes comportam, a meia altura, uma espécie de prateleira de madeira sobre a qual jaz uma segunda camada de corpos humanos. Todos têm algemas nos pés e nas mãos e são presos uns aos outros por uma comprida corrente.”
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